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Lideranças femininas ajudam a empoderar outras mulheres

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Empoderar uma mulher significa empoderar também muitas outras. E quando a igualdade de gênero é genuinamente praticada, a sociedade como um todo tende a ganhar - inclusive economicamente.

A capacidade feminina de promover a igualdade no mundo dos negócios foi um dos pontos apresentados no estudo “Women in the Boardroom – a global perspective”, realizado pela consultoria Deloitte. A pesquisa mostrou que organizações com mulheres em posições de liderança, como presidentes ou CEOs, têm quase o dobro do número de assentos nos conselhos ocupados por profissionais do sexo feminino. Ou seja: mulheres líderes tendem a trazer mais mulheres para compartilhar essa liderança.

Ter mais mulheres em cargos de gestão dentro das empresas é ainda um grande desafio em todo o mundo. O estudo da Deloitte, que compilou dados de 44 países, também mostrou que apenas 15% dos assentos dos conselhos de administração das mais de 7 mil companhias analisadas são ocupados por mulheres. No Brasil, esse número é de apenas 7,7%.

“Há um longo caminho a seguir quando se trata de diversidade. Mas as mulheres estão ocupando espaços no mercado de trabalho em maior número do que os homens e com grande vontade de desenvolver suas carreiras. Esse fator, combinado aos esforços individuais das empresas, o apoio de ONGs e o interesse demonstrado pela sociedade, me faz acreditar que podemos ver grandes mudanças no futuro próximo”, afirma Camila Araujo, sócia da área de Consultoria em Riscos da Deloitte Brasil.

Resultados melhores

Apostar em um cenário de maior equidade dentro das empresas é uma escolha que faz bem não somente para as pessoas, mas também para a saúde do negócio. Uma pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que as companhias com diversidade genuína de gênero, especialmente no nível de liderança, têm melhor desempenho e aumento significativo nos lucros.

Quase 75% das empresas que apresentam a diversidade de gênero em sua gestão aumentam seus lucros em 5% a 20% - com a maioria observando crescimento entre 10% e 15%. O relatório analisou mais de 70 mil empresas em 13 diferentes países.

Entre as razões para esse desempenho, ainda segundo o relatório da OIT, está a percepção de que as empresas lideradas por mulheres têm mais criatividade, inovação e abertura, além de melhor reputação. A presença feminina na gestão também estaria relacionada a uma melhor avaliação das necessidades e sentimentos dos clientes.

“Quando você considera os esforços que as empresas fazem em outras áreas para obter apenas 2% ou 3% a mais nos lucros, a importância do tema fica clara. As companhias devem olhar para o equilíbrio de gênero como uma questão fundamental, não apenas uma questão de recursos humanos”, afirma Deborah France-Massin, diretora da OIT.

Se é bom para todos, o que falta para que as mulheres alcancem mais posições de liderança nas empresas? A pesquisa da OIT aponta duas prováveis causas: a primeira é que muitas companhias exigem uma disponibilidade plena, na qual a pessoa trabalhe a qualquer hora e em qualquer lugar. Essa cultura desfavorece as mulheres, que ainda são as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e demandas familiares. No Brasil, elas dedicam, em média, 21,3 horas por semana com os afazeres do lar, quase o dobro que os homens gastam com esses mesmos serviços, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Outro ponto é que a liderança feminina tende a diminuir à medida que o cargo aumenta - isso significa que, quanto maior o grau de gestão da função, menor a participação de mulheres. A explicação estaria no fato de que a maioria das mulheres lidera áreas como RH, finanças e administração, que são consideradas menos estratégicas e têm menor probabilidade de levar a cargos de diretoria.

“Em uma era de escassez de habilidades, as mulheres representam uma formidável oferta de talentos que as companhias não estão aproveitando. Empresas inteligentes e que desejam ter sucesso na economia global devem fazer da diversidade de gênero um ponto-chave de sua estratégia de negócios”, conclui Deborah.

Texto: Sou+Elas/GShow/Globo.com



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